quarta-feira, 5 de outubro de 2011

DO DIREITO DE DIZER-SE


Nei Alberto Pies 
“O que nos falta é a capacidade de traduzir em proposta aquilo que ilumina a nossa inteligência
 e mobiliza nossos corações: a construção de um novo mundo” (Herbert de Souza, Betinho)

Todos os cidadãos e cidadãs têm o direito de dizer algo sobre sua cidade. As Câmaras de Vereadores, também chamadas “Casas do Povo”, instaladas em todos os municípios de nosso país, com raras exceções  garantem espaços para que a comunidade possa expressar, livremente, os problemas que afligem a sua vida na cidade. Os obstáculos à cidadania e à manifestação popular que as casas legislativas impõem a seu povo não constituem importante contradição da própria democracia?

A cidadania precisa de um lugar de fala e de escuta pública. Ao falar do seu lugar, do seu bairro, da sua realidade, dos seus problemas e de suas conquistas, o povo diz-se a si mesmo. Deste modo, elabora um jeito de viver a cidade e conviver socialmente. Na medida em que os agentes políticos oferecem oportunidades para a população dizer-se, maiores serão as possibilidades de integração social e de resolução dos problemas que envolvem a coletividade. 

Vivemos sob o regime da democracia representativa, mas felizmente uma parcela significativa da população vê também as Câmaras de Vereadores como um espaço que, por excelência, deveria acolher as suas demandas, sugestões e reclamações. As Câmaras de Vereadores, por acolherem a pluralidade das diferentes ideologias partidárias, poderiam organizar-se para oportunizar espaços de discussão sobre os destinos de uma cidade. Sem uma interlocução permanente com a população, o legislativo não cumpre com a sua finalidade de representar as demandas e os interesses desta mesma população. 

Depois de eleitos, todos os vereadores passam a ser vereadores de toda a população de uma cidade. Infelizmente, muitos vereadores adotam posicionamentos direcionados somente àqueles grupos ou pessoas que tiveram interesse na sua eleição, deixando de cumprir sua missão de homens públicos, eleitos para legislar, acolher e encaminhar as demandas da comunidade, fiscalizar e acompanhar todas as obras públicas executadas pelo poder executivo. Por sua condição de homens públicos, suas atitudes, falas e intervenções públicas sempre são passíveis de questionamento, explicações e responsabilização, por mais que gozem de “imunidade parlamentar”.

A socióloga Maria Alice Canzi Ames, ao comentar sobre a impossibilidade de manifestação pública na Câmara de Vereadores de Santa Rosa, RS, afirma que “as ideias e as opiniões, mesmo sendo divergentes devem circular de forma livre. As pessoas têm direito dentro de um estado democrático de manifestar livremente a sua palavra”. Manifesta ainda que a atitude de barrar manifestações numa Câmara de Vereadores fere os princípios da democracia, que significa a autoridade e a força do povo.

A cidadania preconiza que tenhamos asseguradas possibilidades de todos viverem e dizerem a cidade da qual são parte. O que nos une, na democracia, são os interesses coletivos. Na sua cidade há espaços para o povo dizer-se? Os espaços sociais de sua cidade permitem a construção de uma nova sociedade?




Choque de gerações


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Sou de uma geração que para telefonar era necessário ir até ao único posto de telefonia da cidade, “antigamente” denominado de Posto da “telern”, a não ser que houvesse telefone fixo na casa de algum parente ou vizinho. O acesso à comunicação era restrito às classes mais abastadas, à elite política ou às famílias dos grandes fazendeiros da região. Havia poucos orelhões espalhados pela cidade à base de fichas telefônicas. A comunicação era, com isso, mais lenta por que menos acessível, por isso menos democrática. Minha geração, hoje chamada popularmente de geração “x” viu a TV preto e branco, em cores era uma raridade. Esta geração valorizava muito mais a reflexão, a concentração e o foco.

Sou de uma geração que viu nascer e popularizar-se o computador residencial e até móvel, porém ainda não existia internet, tampouco uma grande rede de pessoas que se comunicam imediata e virtualmente pelo “orkut”, “facebook”, “twitter”, “MSN”... Vi, vivi e cresci um pouco em meio a um mundo analógico e com menos interatividade, onde as brincadeiras de crianças eram nas ruas, os jogos eram sensíveis e manuais. Hoje, não só o mundo virtual é uma realidade, mas a própria realidade vem traduzida pelo virtual. Virtual e real se confundem, fundem-se, misturam-se a ponto de não sabermos em que mundo, afinal, estamos vivendo. Os jogos, o entretenimento das crianças, dos jovens e adultos são absolutamente virtuais que independem cada vez mais de um parceiro humano.

Sou de uma geração em que os amigos eram mais ouvidos, não as máquinas. Estamos rodeados de máquinas. Máquinas e eletrônicos por todos os lados. É curioso, houve um tempo em que pouco recorríamos às máquinas, mas hoje, quase não vivemos sem elas. Ah, as máquinas passaram de ferramentas secundárias para ferramentas essenciais em todas as áreas da vida humana. Para não esquecer, agora a pouco, da varanda da minha casa vi passar quatro jovens juntas que, certamente, iam para a praça da cidade, mas todas, sem exceção, portavam aparelhos celulares ou “ipods” com seus fones de ouvido. Pergunto-me: Conversavam? Se sim, por que não se livravam um pouco dos aparelhos enquanto conversavam? Se não, o que estavam fazendo juntas? Esta é um pouco a confusão dessa geração: gosta de fazer tudo ao mesmo tempo. Chamam a esta geração de “y”.

Engraçado, de dentro da geração “x”(Bill Gates) nasce a geração “y”. Com a mega empresa capitalista de informática “Microsoft”, o mundo começa a nascer vislumbrado pelo desenvolvimento da internet, também da geração “x” com origens na guerra fria. 

Sou da geração que viu e fez nascer a internet.
Sou da geração que viu e fez nascer os celulares ou telefonia móvel.
Sou da geração que viu e fez nascer os “ipods” e “ipads”.
Sou da geração que viu e fez nascer os “notebooks”.
Sou da geração que faz uma coisa só de cada vez.
Sou da geração obcecada por conhecimento.

Sou da geração “x” que viu a “y” nascer, a qual não me viu nascer. Porém, tal como o presente que funde passado e futuro, assim são as gerações que se fundem numa só, dispostas a viver num mundo diferente, aberto à aventura do novo. Um novo mundo que, embora seja estranho para alguns, torna-se possível. Tanto é possível que agora, no hoje da minha história, vejo-me assistindo ao filme numa LCD, ao mesmo tempo em que atualizo meu blog e também meu twitter na internet que, simultaneamente, converso com minha esposa e, depois atendo ao celular que toca sem parar. Oh, ainda não acabou, não me dou por satisfeito, pois consigo comer um pedaço de pizza enquanto faço tudo isso, pois é o meu aniversário.

Parabéns pra você, da geração “x”, que não se perdeu na geração “y”!