Cláudia Becker da Cunha*
“Na formação permanente dos professores, o momento fundamental
é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje
ou de ontem que pode melhorar a próxima prática.”
(Paulo Freire)
Como implantar uma Educação reflexiva na prática escolar? Como trabalhar Filosofia com as crianças nas aulas de Educação Física?
Estamos sempre nos questionando qual a metodologia ideal, a proposta pedagógica correta para trabalharmos com nossas crianças, mas por falta de referências, de uma formação continuada acabamos repetindo a forma como fomos ensinados. Mas a partir da participação do curso realizado pelo Sistema Reflexivo de Ensino, passei a ver a minha prática com outro olhar. Percebi que os jogos lúdicos, as brincadeiras, as atividades realizadas nas aulas de Educação Física também poderiam ser conduzidas de modo que as crianças pudessem desenvolver o pensar, expor as suas histórias, as suas descobertas, mesmo não sendo uma disciplina de filosofia. É claro que para que as crianças desenvolvam uma atitude filosófica, a experiência do filosofar, o professor precisa de leitura filosófica, alguns conceitos básicos de filosofia, e também a priori possa tornar-se reflexivo, que é um processo, mas necessário que se dê o primeiro passo.
Normalmente ouvimos pouco as crianças, as silenciamos, matamos a sua curiosidade. Pensamos que aluno bom ou turma boa é quando opera o silêncio, a disciplina, a apatia, o medo. Reclamamos de turmas barulhentas, com dificuldade de concentração. John Dewey já dizia que criança aprende fazendo. Precisamos construir uma Escola dinâmica, ativa, que dê voz e vez aos alunos. O desafio é organizar, disciplinar o falar e o ouvir, para que cada um fale e seja ouvido por todos.
Leciono Educação Física para alunos da Educação Infantil até o Fundamental Final (8ª série) numa Escola Municipal do interior de Leoberto Leal, Santa Catarina. Desenvolvi uma atividade com a turma do 1º ano, que sentados em círculo na quadra esportiva, teriam que passar a bola para o colega do lado depois de fazer perguntas sobre o que vinha a mente, sobre os mais variados assuntos. Na primeira rodada, senti a timidez de se expressarem, a dificuldade de elaborarem as questões, e com mais desenvoltura e espontaneidade no segundo e no terceiro momento. No início as crianças acharam estranha a brincadeira, mas depois se divertiram com ela. Surgiram questões interessantes, como: Por que perguntar? Por que estudar?
Percebi que subestimamos a capacidade e a criatividade de nossos alunos. Expliquei a eles o significado da brincadeira, destacando a importância de perguntar, pois aguça a nossa curiosidade, nos faz querer aprender, entender, serem pessoas melhores e agir com mais segurança, não sendo alvos fáceis de espertalhões e enganadores. O questionar nos torna críticos, incomoda. Aprender que não existe pergunta “boba” para quem quer saber, a não ter medo ou vergonha. Questionar nos faz pensar, rever, repensar, avaliar, analisar, refazer.
Outra atividade desenvolvida foi com a turma do pré-escolar, quando corremos todos juntos ao redor da quadra por alguns minutos como sempre fazemos, sendo diferente naquele dia, pois resolvi ler a conhecida fábula da lebre e a tartaruga, enquanto descansávamos na sombra da árvore projetada na quadra de esportes. Ao terminar a leitura também procurei incentivá-los a fazer perguntas e a entender o significado da história. Comecei perguntando quem ganhou a corrida? Por quê? Quem ganha é o mais forte ou o mais inteligente? Eles respondiam conforme o seu entendimento e também passaram a fazer algumas perguntas. Todos queriam falar alguma coisa, expressar a seu modo. Foi muito divertido, gratificante e produtivo.
* Aluna do EaD do S.E.R. no 2º semestre/2011, participou do Curso 2 – “Crianças brincam, falam perguntam e pensam: filosofar desde a Educação infantil e o 1º ano”. Professora da Escola Municipal do interior de Leoberto Leal em Santa Catarina. Sendo a tutora a Prof. Cintia Borher Soares do Col. Miraflores no Rio de Janeiro.
quem ganhou a corrida? Por quê? Quem ganha é o mais forte ou o mais inteligente? Eles respondiam conforme o seu entendimento e também passaram a fazer algumas perguntas. Todos queriam falar alguma coisa, expressar a seu modo. Foi muito divertido, gratificante e produtivo.
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Alunos da Ed. Infantil da Escola Municipal do interior de Leoberto Leal em Santa Catarina |
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Alunos do 1º ano da Escola Municipal do interior de Leoberto Leal em Santa Catarina |