quinta-feira, 14 de março de 2013

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA


Daniel Duarte
professor de filosofia e sociologia.


A filosofia como um conhecimento histórico de mais de dois mil anos, por si só já tem importância pela bagagem cultural e epistemológica que desenvolveu ao longo deste período.
É inegável a contribuição de filósofos como Aristóteles, Platão, Descartes, Rousseau, Kant, Hegel, Marx, Gramsci, e outros que com suas reflexões e suas teses ajudaram e ajudam a sociedade ocidental a seguir seu desenvolvimento.
No que se refere ao ensino de filosofia na educação básica, esta disciplina tem diversas possibilidades de contribuir para um melhor desenvolvimento da mesma. Muitas são as atribuições dadas ao ensino de filosofia e a sua importância na educação básica, alguns defendem que a filosofia é importante, pois ensina a pensar, ajuda a desenvolver o senso critico, ajuda na reflexão e que é importante para o exercício da cidadania, etc...
Menciono aqui apenas os pontos considerados positivos, mas, certamente existem raciocínios contrários que divergem da importância da filosofia na educação básica.
Estes pontos positivos por vezes podem gerar nos professores de filosofia certa sensação de superioridade da filosofia sobre outras disciplinas, ou então causar certa desconfiança sobre as reais possibilidades de a filosofia dar conta de tamanha responsabilidade.
Embora concorde em parte com estas afirmações, vou fazer algumas considerações que julgo pertinentes.
Se “todos são filósofos” como se refere Gramsci, penso que a primeira hipótese que a filosofia ensina a pensar não se confirma, justamente porque acredito que ninguém ensina ninguém a pensar, e se isto fosse possível não seria privilegio apenas da filosofia, pois qualquer disciplina se bem ministrada, com professores qualificados e que saibam contextualizar o objeto de estudo com a cotidianidade, poderia “ensinar a pensar”. Portanto, todas as disciplinas tem esta capacidade.
Ajudar a desenvolver o senso crítico e a reflexão e incentivar o exercício da cidadania, deveria ser tarefa de todas as disciplinas da educação básica, porém, talvez por incapacidade ou por acomodação na maioria das vezes este árduo trabalho fica como exclusividade das ciências humanas, sobretudo da filosofia e da sociologia.
Afinal qual a importância da filosofia na educação básica? Penso que a filosofia junto com outras disciplinas, através de um trabalho interdisciplinar pode sim dar conta destas atribuições a ela referida, porém, penso que a importância maior da filosofia esteja na fundamentação teórica de tais conceitos. O que é o pensar? Qual a diferença do simples pensar para o pensamento filosófico? O que é a reflexão ou atitude reflexiva? O que é cidadania?
A filosofia tem importância quando se preocupa em fundamentar as proposições, ou seja, através de uma investigação seria e também de um método rigoroso de busca do conhecimento, busca explicitar o porquê do por que. Se não realizar tal tarefa a filosofia corre o risco de tornar a critica pela critica, o simples pensar por pensar, o refletir por refletir.
De nada adianta exigir dos adolescentes determinados comportamentos, determinadas atitudes em relação à ética, politica, cidadania, se não leva-los a conhecer a fundo os conceitos e as proposições de tais temas.
Ao fazer este movimento de busca radical dos princípios, a filosofia se diferencia das demais disciplinas, pois se for bem trabalhada com professores habilitados ela pode ser capaz de ultrapassar o questionamento superficial e vir a se tornar um conhecimento útil.
Portanto, a importância da filosofia na educação básica vai muito além da mera instrumentalização do pensar, do refletir ou do criticar. A filosofia deve desvelar a gênese dos conceitos para que estes possam ser compreendidos na sua totalidade, e ao serem compreendidos possam ajudar na formação integral dos estudantes da educação básica.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Educação é feita com e pelo diálogo


Prof. Ricardo Valim

Não será com lousa digital, tablet e outras parafernálias tecnológicas que mudaremos a sala de aula como espaço de aprendizagem e partilha de conhecimentos e informações. Só iremos resolver problemas, encontrar espaços de convívio, aprender a investigar e propor ações, com e pelo diálogo (de preferência diálogo filosófico). A Filosofia desde a Educação Infantil é um caminho seguro para essa finalidade

Constantemente conversamos com outras pessoas, lemos e vemos por aí sobre a nossa realidade e como um simples diálogo poderia resolver muita coisa. Em nossa sociedade apesar dos esforços de ambos os lados ainda falta diálogo entre pais e filhos, governos e cidadãos, entre religiões e religiões. Como se pode notar o diálogo é base para muita coisa.
Mas como fazer tudo isso se a nossa educação contemporânea ou pelo menos sua metodologia, não está apta para tal feito? Se quisermos uma sociedade futura mais diversificada em pensamento e com grande capacidade de diálogo e criticamente esclarecida, teremos de começar a trabalhar estas situações ainda hoje em sala de aula.
No seio familiar aprendemos alguns princípios básicos para viver e se organizar socialmente. Porém, é em um contato social mais amplo – que é a escola – que se aprenderão novos valores e que serão aperfeiçoados os adquiridos apriori em casa.
E é justamente por isso mesmo que “Pensar a Educação é Pensar no Futuro”. O que queremos para o nosso futuro? O que esperamos d’ele? São perguntas que devem perturbar o espírito de um bom educador comprometido com a realidade.
A educação deve estar, e esta deve ser sua essência, voltada para a evolução de uma realidade que hoje não nos agrada.
A educação é o caminho mais seguro para a edificação de um novo mundo mais humano e solidário. A educação deve estar para além do comércio e das intenções de partidos políticos, ela deve ser a bandeira de esperança levantada ante os erros que agora são cometidos para que não se repitam em um futuro bem próximo. Se estivermos realmente fartos de tanta violência e corrupção, o que poderemos fazer então dentro de um plano educacional para reverter tal quadro? É isso que devemos pensar! Portanto, “Pensar a Educação é Pensar no Futuro e Pensar no Futuro é Pensar na Educação Hoje”.


Ricardo Valim – Bacharel em Filosofia, Pós Graduado em Metodologia do
Ensino de Filosofia e Sociologia.