sexta-feira, 4 de julho de 2014

De infância e de saudades da terra

Nei Alberto Pies
“Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: “Coitado, até essa hora no serviço pesado”. Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo”.
(Poema Ensinamento, Adélia Prado)

            Muitos, como eu, nasceram e viveram a infância na roça. Eu sinto orgulho de ser um filho da roça, porque a vida no “interior” me ensinou valores muitíssimo finos e refinados. Na companhia de árvores frutíferas, animais, nascentes, riachos e lavouras, as pessoas que lá residem formam verdadeira comunidade. Comunidade quer dizer comunhão, integração, relação. Esta comunhão se perdeu na vida urbana atribulada e estressante. Todo o tempo na cidade tem que ser um tempo ocupado. Não temos mais tempo para curtir o próprio ritmo (do tempo).
Roça é um lugar de fartura, mas também de muito trabalho. Iludem-se aqueles que pensam que uma “chácara” é um lugar maravilhoso sem dar muito trabalho. Para quem não pode oferecer seu trabalho, terá de ofertar dinheiro para que alguém cuide, zele e organize o ambiente, para poder desfrutá-lo lindo, aconchegante e organizado. Neste sentido, não podemos romantizar o trabalho de quem cuida da terra; é preciso reconhecê-lo e valorizá-lo com a grandeza que ele merece.
            Quantos, como eu, matam saudades de sua terra visitando propriedades que ainda resistem em levar adiante um estilo de vida interiorano! Colhem, no inverno abundante das frutas, o sabor de suas saudades e recordações. Visitam matas, riachos, casas, salões comunitários, em busca de algo que um dia deixaram para trás: a simplicidade e a compaixão pela terra.
            Como ilustram os versos acima, os valores da roça confundem-se com as necessidades mais imediatas de quem lá reside e faz de seu trabalho e suor o próprio modo de vida. Os pequenos agricultores ou camponeses ainda preservam os valores da gratuidade e da reciprocidade que aprenderam na relação com os outros, com a natureza e com o mundo. Nem tudo na roça tem preço, mas tudo na roça tem o seu valor.
            As relações com a natureza, particularmente através das semeaduras, reservam ao homem e à mulher do campo a noção do tempo, que é a mesma noção da paciência. Quem espera colher, precisa saber esperar. Quem espera colher, precisa pacientemente acompanhar a renovação da vida em cada amanhecer e em cada anoitecer. Quem deseja recuperar a terra, precisa investir insumos, cuidados e tempo.
            Só podem sentir saudades aqueles e aquelas que já experimentaram a vida da roça. Para estes, são necessárias brechas em sua conturbada agenda urbana para cultivar flores, frutas, hortaliças, chás, verduras. Não há nada mais contagiante e gratificante do que o alvorecer de vidas que dependem de terra, de ar, de água e de cuidados pacientes e permanentes.
A natureza nos permite a compreensão da própria existência. A vida na roça nos fornece importantes aprendizagens sobre os próprios desafios do ser humano. Valorizando a terra, estaremos sempre valorizando a nossa dimensão de humanidade e dignidade.


Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

É possível utilizar o Facebook...

É possível utilizar o Facebook

como ferramenta pedagógica?

Prof. Arisnaldo Adriano da Cunha



O uso de celulares e do facebook prejudicam a memória, a atenção, a escrita e a aprendizagem dos estudantes? Por que os livros, o giz e a saliva não prendem mais a atenção? Por que não temos mais uma turma calada ouvindo o professor falando?

Adolescentes são os principais atores no uso de redes sociais, nesse sentido, pode ser estratégico utilizar tal ferramenta no contexto estudantil como plataforma de ensino e aprendizagem, uma vez que os alunos já estão familiarizados. Segundo estudos, sites de redes sociais como Facebook ajudam os alunos a praticar as habilidades que eles precisam para ter sucesso no século XXI; abrem a possibilidade para que os alunos compartilhem o que aprenderam não apenas com seus colegas, mas com todo o mundo. Os professores podem postar atribuições ou trabalhos extras apenas para os estudantes que estão necessitando, sem que haja uma maior exposição de alunos. Ao contrário de proibir, é necessário aprender a utilizá-lo como ferramenta de aprendizagem que informa, provoca a reflexão e a formação do senso crítico, desperta o interesse e a curiosidade de estudar e aprender, desenvolve a escrita e a leitura. Negar aos alunos o uso das redes sociais nos laboratórios de informática ou sala de aula, sem que se faça uma reflexão sobre estes espaços de concepção de conhecimento, parece algo vazio, sem sentido e sem propósito.

O uso da facebook na sala de aula deve ser utilizado como uma ferramenta que integra os alunos, uns com outros. Desta forma, as tarefas propostas pelo professor deve sempre ser em grupo e que as mensagens postadas devem ter mensagens no formato de texto, figuras, fotos, áudios e vídeos, postados pelos alunos solicitados pela disciplina, para que os colegas possam curtir, compartilhar e comentar. Uma vez escolhido o tema, os alunos começam a pesquisar e produzir mensagens, utilizando os recursos disponíveis no Facebook, e postando nas fan pages e nos grupos de estudos. Todas as contribuições devem contemplar aspectos entre duas ou mais disciplinas, trabalhando a interdisciplinaridade.

A Direção da Escola de Educação Básica Bertino Silva que outrora tinha o facebook bloqueado em suas imediações, resolveu apostar neste projeto, liberando o sinal para os alunos e professores com o objetivo de utilizá-lo como ferramenta pedagógica de aprendizagem. Após participar do Curso de Capacitação a distância “Facebook na sala de aula” realizado pelo Portal EAD Brasil (http://www.portaleadbrasil.com.br/corpoprincipal.asp), propomos à Direção e professores da Escola implementar o Projeto com os alunos do Ensino Médio. Com as turmas dos terceirões, pesquisamos a Copa do Mundo FIFA 2014, e agora sugerimos estudar e pesquisar no facebook sobre as Profissões e questões do ENEM. Divididos em quatro grupos de estudos: ciências humanas, ciências naturais, matemática e linguagens, alunos e professores de forma interdisciplinar e com interatividade procurarão adquirir e exercitar habilidades necessárias para realizar uma boa prova no ENEM.

É importante ressaltar que o facebook deve ser uma complementação do que está sendo trabalhado em sala de aula. O uso das tecnologias na aprendizagem deve provocar nos professores e alunos uma nova forma de ensinar e aprender, uma nova forma de trabalhar os conteúdos que deverão ser contextualizados com a realidade em que se vive, de forma que provoque motivação e curiosidade de pesquisar e aprender.



Referência Bibliográfica

MUSACCHIO, Cláudio de. Plano Estratégico do uso e manuseio das redes sociais. Disponível em: http://www.musacchio.com.br/facebooknasaladeaula/pdfs/corpoprincipalaula01c.pdf