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quinta-feira, 8 de julho de 2010

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

 Por: Maria de Lourdes Cardoso Mallmann

O mundo progride a todo instante. A cada dia novas descobertas, novas técnicas. Os conceitos mudam, as estruturas se refazem os valores são modificados, mas uma coisa permanece: a importância da família.

Se o homem se transforma, se atualiza, revê seus conceitos, é interessante questionar porque a família que existe há séculos, continua sendo necessária e produzindo ótimos resultados.

A família é a esperança derradeira do homem moderno. Ela é condutora
de atitudes afetivas e de sentimentos capazes de fazer um empresário sentir
ternura, ela é capaz de provocar lágrimas num assassino, ela é sempre
mensageira de amor, mas de um amor desinteressado, livre e espontâneo.

A família hoje representa o galardão maior de um cidadão. Pela família se
conhece o homem.

As grandes empresas do mundo já integram a família dos funcionários
em seus projetos, e mede-se a postura e a integridade de homens de negócios
pelo relacionamento familiar que eles desfrutam. Um bom pai, um esposo
cordial são evidências de boa índole e a administração da família em termos
harmônicos é um índice de qualidade nos dias de hoje.

Só quem não tem uma família é capaz de avaliar a imensa solidão, que
nem trabalho e nem realização pessoal pode amenizar.

A família, com toda a problemática que ela ocasiona é ainda onde
o homem encontra o lenitivo e a força contra as intempéries diárias. O
aconchego dos familiares é uma benção, a solidariedade entre irmãos é uma
graça, o convívio com noras , genros, primos, tios é um festival permanente de
descobertas, de surpresas de generosidade e de conforto.

A família mantém um vínculo que agrega nas horas difíceis e empolga
nas horas de festa e de alegria. Os pais quando presentes encarnam o tronco
salutar de amor que repassam aos filhos através de exemplos , de vivências ,
de sacrifícios, de coisas boas, de carinho. As palavras muitas vezes são
desnecessárias ante as atitudes e os olhares de cumplicidade e entendimento.

Quando ausentes, a família se recompõe nos que ficaram e se une mais
para preservar a memória e honrar o nome de quem soube amar e ensinar a
ser feliz! O que importa realmente é que a família tem uma missão, missão
de continuar de ir em frente, de passar adiante o que aprendeu, de transmitir o
amor de geração a geração.

Essa corrente se faz tão forte e a família se torna indestrutível mesmo
enfrentando a modernidade, encarando de frente as drogas que tentam dizimá-
la, lutando contra os pregadores de uma liberdade falsa com inversão de
valores. A Família resiste e está aí mostrando sua força, impondo o amor
como condição de vida, a amizade fraterna como motivação entre irmãos e a
alegria de poderem estar juntos e felizes!

Se você tem uma família assim, dê graças a Deus!
Foi um prazer ter estado com vocês!

Maria de Lourdes Cardoso Mallmann
lurdesma@terra.com.br
Pedagoga, Professora de Filosofia, autora de livros (pela Sophos e outras editoras) e membro da Academia Itapemense de Letras (Itapema/SC)

A "Dona Mariazinha" como é carinhosamente chamada por todos que a conhecem, também participa da Comunidade do SER e da Escola de Pais do SER. Junte-se a nós!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A não-reflexão e a política.


Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”. 
(José Saramago, em última mensagem, postada em seu blog)

Ficamos com a impressão de que as futilidades e apetrechos tomaram, definitivamente, o lugar da reflexão. Não temos tempo para nos ocupar com os pensamentos, mas temos um ingênuo orgulho em nos ocupar com as coisas que despertam o entretenimento, o descompromisso e os prazeres mais imediatos. Fomos transformados numa massa amorfa, acomodada, com poucos vestígios de indignação e questionamento. Somos apenas bons consumidores de tudo aquilo que outros pensaram ser o melhor para a vida da gente.

O mais intrigante e perigoso em nossa cultura de não-reflexão é que abrimos mão das responsabilidades para com a gente e para com o mundo. Sem reflexão, não geramos conhecimentos. Já sem os conhecimentos, que geraríamos pela reflexão, não temos compromissos senão com a nossa própria ignorância. Sem compromissos com a vida e com o planeta, parecemos mais suaves, mais livres, mais soltos. Mas será?

Pois há muito tempo ensinamos de que pensar é algo perigoso. Que o melhor é sempre a gente se adaptar aos processos que organizam o mundo. Que a gente deve cuidar de si e deixar Deus cuidar de todos. Que os insatisfeitos e descontentes que se retirem do lugar ou da posição em que se encontram, no caso de discordância com aquilo que parece imutável. Ensinamos, também, a amar as coisas antes de amar a gente. Assim aprendemos de que a gente sempre é a partir daquilo que consegue ter, ou parece que tem. E ainda resta a boa desculpa de dizer que ensinamos assim porque fomos assim ensinados.

Mas o bom é que a democracia sempre dá seu “ar de graça” por conta das eleições gerais. Ela exige, por isso mesmo, que os desafios por ela postos sejam superados. Ao invés de alienação, façamos largo uso da reflexão para que definamos por votos que encaminhem soluções para nosso estado e nosso país. Senão, nossos candidatos não passarão de meros produtos no quais resolvemos fazer a nossa aposta.

A real efetivação da democracia exige a participação consciente e engajada dos cidadãos e cidadãs na definição e condução de políticas e projetos, o que não se traduz apenas no voto. A democracia, neste sentido, é uma forma de convivência que exige a superação da alienação dos sujeitos. As pessoas envolvidas num processo democrático devem participar das decisões, evitando ao máximo o distanciamento entre aqueles que decidem e aqueles que executam. Se assim não for, geramos o desinteresse pela política e pela convivência social. Geramos, também, as condições para que continue a proliferar entre a gente a cultura da não-reflexão e da não-decisão.

Os grandes pensadores são, quase sempre, grandes incompreendidos. Saramago alertou a humanidade sobre as suas cegueiras, em obra entitulada “Ensaio sobre a cegueira”. A partir de seu alerta, ser sem idéias só pode ser a pior das cegueiras que poderemos possuir. Nesta cultura de não-reflexão, que já toma conta de quase todo mundo, ainda conseguimos espaços para perguntar. Resta saber quais são os espaços para a gente mudar a panorama da “alienação massiva” na qual estamos todos mergulhados.
Nei Alberto Pies, professor e ativista em direitos humanos.