Mostrando postagens com marcador ser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ser. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de maio de 2010

À Diversidade das aptidões

“Sabemos que vivemos em um mundo globalizado onde a competência significa ser útil no papel em que desenvolve, ou dotado de outras habilidades além das que tem?”
A diferença entre as capacidades naturais dos diversos homens é, na realidade, muito menor do que aquilo que podemos pensar; e a grande disparidade entre os diversos talentos que parecem distinguir os homens das diversas profissões quando chegam à maturidade é normalmente muito menos uma causa do que um efeito da divisão do trabalho. Mais do que a natureza, parecem ser os hábitos e a educação que explicam a diferença existente entre os caracteres mais díspares, por exemplo, entre um filósofo e um carregador. Quando vieram ao mundo, e durante os primeiros seis ou oito anos da sua existência, eram talvez muito parecidos; nem os pais, nem os companheiros de brincadeira teriam podido notar grandes diferenças entre eles. Mas nessa idade, ou pouco depois, as crianças empregam-se em diferentes ocupações; começa-se então a notar uma diversificação dos respectivos talentos, que vai tomando incremento, até dar origem. Esta tendência, além de procurar uma notória diferença de talentos entre os homens das diversas profissões, também a torna útil. Por natureza, um filósofo não é tão diferente de um carregador em capacidade e aptidões. Os talentos mais díspares são úteis uns aos outros isto porque os diferentes produtos das suas respectivas aptidões, devidos à tendência geral para trocar e comprar passam a fazer parte de uma mesma reserva à qual os homens podem ir buscar tudo aquilo de que necessitam.

“Se não existisse em cada homem a tendência para a troca e para compra, este ver-se-ia obrigado a produzir todas as coisas necessárias e úteis para a sua vida. Todos teriam os mesmos deveres e realizariam o mesmo trabalho; nessa condições, nunca poderia existir a enorme diferença de ocupações que, por si só, dá origem à diversidade das aptidões”.

Thamário Everley Conrado Pereira é acadêmico de Direito, da Faculdade Alfredo Nasser e membro ativo do Pajupu (Programa de Assessoria Jurídica Popular Universitária)
Email: t.everley_stylenet@hotmail.com

.................................................................

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sim, Ensino Reflexivo? S.E.R. é a resposta!

Prof. Dr. Silvio Wonsovicz
Presidente do S.E.R.

     Encontramo-nos num estágio em que um dos maiores desafios que se apresentam é uma educação que oportunize ao sujeito, de forma ampla, uma visão e uma ação que integrem os vários campos do conhecimento. É um momento de reflexão, de estruturação de novos paradigmas e avaliação das conquistas.

     Nesse contexto, a Educação para o Pensar com e por meio da filosofia, junto com a efetivação do Sistema de Ensino Reflexivo S.E.R. nas escolas do país, exerce um papel fundamental no sentido de estabelecer a mediação entre esse momento de mudança, os valores preestabelecidos e o que queremos. Isso significa que também o papel da filosofia foi, além de resgatado, ampliado. É necessário então um instrumental que coloque esses problemas em evidência e permita sua discussão séria e responsável.

     Criar condições para fazer uma educação com base no método filosófico dialógico, de investigação e formação de conhecimentos.  Pois, pela filosofia, temos, historicamente construído meios de avaliar e estabelecer paradigmas que  possam  contribuir,  neste  tempo  de  inovações e  necessidades  de  reflexões,  em todos os segmentos.

     No intuito de formar cidadãos reflexivos que possam, conscientemente, dentro  de  uma  práxis, entender  e  intervir  nesse  processo de mudanças é que se  faz necessária uma Educação para o Pensar. Onde o ensino da filosofia sirva de base para a formação de educadores e educandos reflexivos, em todas as disciplinas.

     Entendendo que hoje a formação do indivíduo passa necessariamente pela escola, a filosofia, para cumprir seu papel educacional, precisa também ser inovadora e estabelecer novos métodos educativos que lhe permitam estar presente em todo o processo educacional. Não é possível aceitar um filósofo que não tenha conhecimentos pedagógicos, assim como não é aceitável um educador sem conhecimentos filosóficos.

     Frente a isso, o maior desafio para conseguirmos uma Educação Reflexiva é a formação continuada dos educadores. Percebe-se que, de um lado, a academia fornece um instrumental teórico, mas muitas vezes de forma distante da vida quotidiana dos alunos, da escola, o que  torna a  filosofia, por vezes, uma disciplina por demais teórica e desligada da realidade. Por outro lado, devido a uma deficiência no processo de formação de muitos professores das diversas áreas, o resultado final aparece como um cesto de retalhos, sem que haja ligação entre as várias reflexões filosóficas.

Ocasionando assim uma aprendizagem em que o ensino de um pensar engajado, que leve a uma consciência crítica, que seja emancipatório pela reflexão filosófica, pareça descontínuo e irrelevante.

     Neste sentido é necessária uma proposta de formação do educador que venha suprir a necessidade de um entendimento global da educação e da filosofia. Que forneça instrumentos para que o professor possa transformar a sala de aula em um espaço para o Pensar. Que esteja presente na vida de todos os envolvidos com a educação.

     Para resolver esses problemas e fomentar uma alternativa, segundo um caminho percorrido nesses 21 anos de existência, o S.E.R. apresenta avanços e acredita que é possível encurtar distâncias entre a teoria e a prática. Por isso uma grande programação que inicia em maio (ver p. 6 e 7) e se estenderá até o final desse ano. Essa programação, proporcionará atenção  aos  alunos,  aos  pais  e  aos  professores (formação  teórica,  prática  e  semipresencial)  no  Projeto Sim, Ensino Reflexivo?

     É fato que, no atual estágio de desenvolvimento de nossa sociedade e por se tratar de filosofia, de uma Educação para o Pensar, de um Sistema de Ensino Reflexivo, não há uma verdade a ser ensinada, mas isso não exclui a necessidade de colocar o ensino e a prática reflexiva em discussão. Por isso as informações e notícias de algumas escolas pelo país que trabalham com nosso Programa e nossos livros didático-filosóficos.

     Vale a pena uma leitura atenta a tudo o que apresentamos em nosso informativo trimestral, no ano em que completamos 21 anos de existência exitosa no ensino reflexivo. Boa leitura e boas reflexões!


FONTE: Este conteúdo é parte
integrante da Edição 65
do Jornal Corujinha
,
seção "Editorial", página 2.

Para acessar o conteúdo desta
publicadas, clique AQUI.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A APARÊNCIA ENGANA?


Diferente do que a grande maioria das pessoas diz a aparência NÃO engana. Simplesmente ela externa um estado de momento da pessoa. Se estou bem, produzo-me como tal. Se estou mau, produzo-me como tal. Se estou feliz, capricho em uma aparência de alegria, desde a cabeça aos pés. Minhas palavras, sentimentos e atitudes retratam, mostram, especificam quem sou no momento. Se estou infeliz, enraivecido ou triste, trato-me como tal.

O meu estado de momento  tanto  influencia como é  influenciado pelo estado de momento das outras pessoas. O que comumente se escuta é que a aparência engana. Tal afirmação  leva em consideração a perspectiva do outro em relação a você. Este é um  lado da situação, visto que estamos, é verdade, submersos em um mundo que tem feito opções por valores questionáveis.

Se vou a algum lugar levo comigo meu estado de momento em minha aparência, minhas palavras, meus sentimentos, minhas atitudes. Se a minha intenção (objetivo) é expor uma “aparência”, estou tentando enganar a mim mesmo. Afinal, a minha  intenção de,  leva-me a expor tal aparência. Não estou conseguindo fugir ao que sou de momento.

Como a minha  aparência  também  influencia  às outras pessoas, é de  se esperar  comportamentos diversos e adequados à aparência que exponho no momento. Há uma excessiva preocupação com o “olhar do outro”. O processo de introspecção é atropelado pela correria sem fim do dia-a-dia, pelos sonhos desenfreados do TER em detrimento do SER. Bons valores sociais, políticos, econômicos e religiosos precisam fazem parte do bate-papo diário, das discussões em sala de aula, dos momentos em família.

Se nos conhecêssemos um pouco mais em cada um de nossos momentos, não sofreríamos tanto em detrimento aos olhares dos outros. A boa convivência partiria do exercício de respeitarmos, embora possamos não acolher, o momento de aparência exposto por cada um.

.....................................................................