quinta-feira, 28 de abril de 2011

A crise da memória na educação

Jackislandy Meira de Medeiros Silva

  A tão badalada decoreba está com os seus dias contados no universo de nossas Escolas! Estamos como que decretando a morte da memorização no ensino-aprendizagem dos alunos. Durante muito tempo, este método levou muitos alunos a sofrer nos bancos das Escolas e Universidades, dificultando muitas vezes formar uma consciência crítica e aberta à imaginação, à criação.
Com o avanço da tecnologia e com as novas mídias ocupando o tempo e o espaço de nossas vidas, memorizar informações parece ser quase desnecessário hoje em dia. Vivemos uma crise da memória principalmente na educação.  Mais ainda, estamos a mercê de inúmeros recursos que nos eximem de vasculhar os anais de nossa memória. Se queremos guardar dados que iremos precisar futuramente, utilizamos várias alternativas tais como: cds, dvds, pendrives, HDs externos ou nosso próprio PC com memórias gigantescas.
Esse assunto tem a ver com o famoso tempo no qual estamos vivendo, a era das informações velozes. Estamos pulverizados de informações a todo instante. Quando menos esperamos, somos logo acometidos por uma enxurrada de informações que nos colocam de imediato no contexto. Seria como se o virtual nos pusesse de volta no real. Que coisa! À medida que somos tomados pelo virtual, vem logo uma informação e nos derruba para o real.
Estava estes dias, por ocasião do dia do Repórter, assistindo a uma entrevista do jornalista Tino Marcos da Rede Globo, no Programa “Redação Sportv”, ao afirmar que o repórter, diferentemente de há vinte anos, não tem mais tanto prazer em ir atrás da notícia, do fato, do ocorrido. Isso já não importa tanto, pois as informações, as notícias estão chegando rapidamente via celular pela internet ,“on line”, 24 horas por dia, sem que se precise correr aonde elas estão. Mas o desafio do repórter hoje mudou, é importante agora sua competência no contar bem a história. Aquele que contar melhor a notícia sai na frente e sua matéria sai estampada nas principais páginas dos jornais, sites e blogs.
Ora, se na imprensa muita coisa mudou com o avanço das mídias, o que dizer então da Educação, uma área que se alimenta de conhecimento, de dados informativos para o ganho formativo da humanidade.
Como disse, as informações em nosso dia a dia estão cada vez mais disponíveis na memória de um aparelho celular, no PC e no “Google”. Sendo assim,  qual o destino de nossa própria memória? Para que decorar uma imensa quantidade de dados, se o acesso às informações está mais democrático, e se podemos contar com aparelhos de memórias portáteis?
Frente a isso a Profª. Viviane Mosé discute com propriedade as imensas transformações que caracterizam o mundo contemporâneo e quais a suas inferências na Educação. Afinal, o que se torna fundamental aprender? Que tipo de conteúdos a escola deve ensinar?
Para Viviane Mosé, numa sociedade em que cada vez mais as máquinas fazem o trabalho manual e mental, resta a atividade em que o homem é imprescindível e essencial: criar. Inovação, criatividade, atitude, são moedas de alto valor na sociedade que se configura. Além disso, com as constantes inovações, próprias da era tecnológica, é fundamental aprender a aprender, para que o processo educativo permaneça depois da escola. A invasão de informações também deve ser filtrada e processada, por isto é essencial desenvolver métodos de pesquisa. Estas são algumas das inúmeras questões que precisamos pensar, quando educamos no mundo contemporâneo.
Portanto, a memória ou a decoreba não é mais um sinal de avanço na Educação, porque há aparelhos que agora fazem esta função com muito mais qualidade, no entanto é fundamental educar para os valores, educar na formação da opinião e na criação de conceitos necessários à vida em todos os seus aspectos. Uma máquina não pode valorar, criar, imaginar, inovar, ter atitudes. Isso sim, ela não pode fazer: Que seja possível formar um homem sábio!

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e
Especialista em Metafísica pela UFRN

5 comentários:

  1. Todavia, informação não é e nunca será conhecimento. O exemplo do/a jornalista que é soterrado pelos instantâneos midiáticos (internet e as redes sociais via twitter, facebook, orkut, etc.)não me parece adequado, pois entendo que nos falta, justamente, o jornalismo investigativo.
    De uma maneira geral, os periódicos impressos viraram sínteses das notícias virtuais, o que é lamentável. Mas, nada substitui uma análise densa dos fenômenos históricos, que exige mais do que um 'amontoado de informações', mas sobretudo interlocução com diferentes autores/autoras e áreas do conhecimento.
    E no território escolar há imensos desafios a serem percorridos, principalmente aprender a ler o mundo e os instantâneos midiáticos, que de tão velozes não nos preenche a alma!

    ResponderExcluir
  2. gostei muito do texto. Creio que dificil é ensinar valores hoje em dia também, uma vez que cada um considera o que valorozo para si, sem se preocupar com os outros. A propria net ajuda nisso, já que vitualmente a pessoa pode ser outra e tudo bem. Na Na minha opinião, o problema na educaçao esta no fato de tirarmos nossas crianças muito cedo do convivio familiar. Por pior que seja uma familia, ela sempre será familia. Nossas crianças estão aprendendo um valor na escola, outro em casa, outro na rua, outro na net. Se o adulto, já não consegue preocessar tantas informações, imagina uma criança. Platão estava certo quando ensinava que uma criança deve ficar até os sete anos em casa.
    Como fasso para ter um texto meu, neste site?

    ResponderExcluir
  3. Dalvo - dalvojrossi@yahoo.com.br29 de abril de 2011 04:32

    Realmente, já inventaram a máquina que faz a ligação automática entre a os sons e suas representações gráficas.

    Sem ironia, isso tudo que está escrito acima tem valor quando se falamos de alguém alfabetizado e em diversas linguagens, senão toda essa tecnologia digital é um mundo inacessível.

    ResponderExcluir
  4. Eu ainda considero a memória humana imprescindível para construção de uma educação. Parafraseando Santo Agostinho: O presente vai devorando o futuro até tornar-se passado assim podemos recorrer a ele sempre que precisarmos. Ter como fundamento para construção de valores as maquinas e ainda considerar melhor que a humana, é um crime e um grande erro, máquinas não tem memória, apenas utilização essa palavra para informar que nelas existem um local para armazenamento de dados. Memória é construção, movimento, só pode ser alcançando pelos seres com vida, incluo aqui alguns animais, como o homem.

    ResponderExcluir
  5. Sinceramente e s/radicalismo, é claro, a visão q tenho da teoria, do eruditismo, da ciência, do academicismo e afins, é d q td é mto óbvio, por Xs, torna-se cansativo "perder-se" tempo c/teorias e pensamentos filosóficos q definem a vida intelectual e erudita. Costumo dizer aos meus alunos, em vocabulário acessível a eles, q tds nós sabemos d td, e o q distingue quem estuda dos d+ é o fato d q, a escola enqto instiuição d educação sistemática, molda o vocabulário. Imaginemos 1 discurso teórico recheado d gírias, selecionadas é claro, seria, no mínimo, interessante, inovador, instigante.

    ResponderExcluir